terça-feira, 2 de abril de 2013

Sei um ninho...

 
Há recordações que ficam para sempre! Recordo como se tivesse sido apenas ontem, uma tarde distante da escola primária, em que declamei em pé, para a turma toda, o poema "Sei um Ninho" do adorado conterrâneo Miguel Torga. Dos caracóis de oiro desses tempos até ao dia que é hoje nunca tive um ninho, um ninho meu, um lugar secreto, que apenas por ser meu é um lugar encantado. Sei um ninho (esta expressão hoje não me sai da cabeça) e espero ser muito feliz por lá.
 
"Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar..."


Miguel Torga

3 comentários:

  1. Estimada Milinha,

    Há muito que tento ganhar coragem para escrever neste seu ninho tão íntimo e pessoal.
    Portanto, acredite que se este velho tonto o faz agora, se este farrapo velho tem a ousadia de poluir este seu paraíso de criatividade e (infinito) bom gosto, é somente por a mera existência deste espaço ser uma rara e inesgotável fonte de inspiração para quem já tudo conhece da vida e, em consequência, nada mais espera do que uma lenta e agoniante morte.

    Mas antes de mais, deixe-me fazer as apresentações: o meu nome é Leonard, Leonard Cohen.
    Imagino que já tenha ouvido falar de mim, até porque já emoldurou uma música minha: eu sou aquilo a que vocês em Portugal costumam chamar de cantautor (acho que é assim que se escreve, mas perdoe-me qualquer lapso ortográfico).

    Dediquei a minha vida a escrever e cantar sobre o amor, a religião, o amor, o ódio, o sexo, o amor, a política, os amigos que foram e não voltam, o amor, a morte e o amor. Sempre o Amor, a demanda louca pelo Amor total e infinito, essa grande incógnita e única fé a que fui fiel numa vida de excessos e incongruências infinitas.

    Escrevo e canto sobre tudo aquilo que tem a capacidade de agitar as minhas crenças e sentimentos, sobre tudo aquilo que me surpreende e me emociona, sobre aquilo que se costuma chamar de temas fúteis mas que não são mais do que as coisas que verdadeiramente importam nesta travessia de duração indeterminada.

    No fundo, procuro cantar e captar a beleza escondida das coisas e das pessoas.

    Estimada Milinha, por ora não consigo dizer muito mais, até porque, não obstante não ter tido o prazer de a conhecer, já a imagino uma pessoa com suficiente sensibilidade para compreender que o que não se diz é muito mais intenso e sentido do que o que se diz.

    As palavras às vezes só atrapalham e tenho a certeza que também concorda que uma vida sem imaginação não é uma vida que mereça ser vivida.

    Por isso, só lhe queria agradecer por fazer com que todos os dias sejam dias de amor (porque se assim não o fossem, todos os dias seriam um mero desperdício).

    Bem-haja e longa vida para as milices!

    Respeitosamente,
    (Já) o seu maior admirador (ontem, hoje e sempre, nesta e na próxima vida),

    Leonard.

    P.S. Votos de que neste novo ninho volte a encontrar o que perdeu.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Caro Leonard,

    Antes de mais devo confessar que me sinto lisonjeada por saber que tão ilustre cantautor segue atentamente este "espaço de devaneios" de uma tonta chamada Milinha. Como o Leonard mesmo referiu, as palavras às vezes só atrapalham. Como não posso concordar mais com a afirmação vou simplesmente agradecer do fundo do coração o seu comentário, e despedir-me na esperança de continuar a fazer deste espaço um lugar agradavel para quem, como o Leonard, o visita! Obrigada.

    M

    P.S. Ter vontade de encontrar o que se perdeu nem sempre é suficiente, por vezes perdemos para sempre. Aguardemos o reverso poético e as surpresas da vida!

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