Uma simples carta que talvez seja a tarefa mais estranha que me coube nos últimos dias...e a mais importante também. Tenho uma página em branco na mão (adoro páginas em branco, o primeiro traço e o desfiar incerto de uma ideia), preciso de um momento de sossego, um pensamento para explodir e uma caneta...e não me ocorre absolutamente nada...nada...nem o facto de saber que esta carta nunca vai conhecer selo, remetente ou destinatário me acalma.
Nada, não me ocorre nada, absolutamente nada, a não ser deixar esta página em branco..."Não posso deixar esta página em branco, tenho uma tarefa, tenho de a cumprir..." diz a minha consciência..."deixa esta página em branco e volta a escrever quando for o momento", diz o meu coração...
As palavras são minhas maiores aliadas, sempre foram, não há nada que me seja tão caro como a palavra escrita, e agora este dilema, esta último pensamento antes de adormecer que acorda comigo...
Deixo em branco ou escrevo? Escrevo e entrego? Não entrego e leio para mim para saber que é verdade? Dou para alguém ler e esopero que me confirme o que já sei? Muitas perguntas e nenhuma resposta.
A Carta, a importância de uma folha e a minha impotência perante ela. A Carta, e uma vontade de imensa de voltar a saber escrever.