segunda-feira, 6 de abril de 2015


a vida por vezes pode ser cruel, penso eu a despeito dos propóstitos do destino. será um dia de verão, daqueles em que o céu se confunde entre tons e o douro divaga carinhosamente no seu arrastar sereno de embalo da alma.
será um dia de verão e certamente vai cheirar a eucalipto, esse aroma que me remete sempre para a tristeza da perda.
primeiro chegas tu, imagino-te impecavelmente vestido por um sorriso escancarado e pela calma que te caracteriza. a terra que me viu nascer assoma à porta para te receber,  ninguém te conhece,  também não importa, sempre gostaste de ser discreto e a vida faz-te a vontade.
chega a noiva, toda ela é uma visão em branco, imagino que esteja feliz como ninguém na sua simplicidade elegante de dificil conquista. Tu sorris com a sua chegada e a cerimónia acontece.  O espaço não te é familiar, alguém te disse que seria simpatico e como não gostas perder tempo pareceu-te boa opção.

Na Igreja onde vai ecoar o teu Sim chorei pela primeira vez após o primeiro Sacramento, chorei muitas vezes de dor ao ver partir as pessoas que amo, o sangue do meu sangue é velado nesse altar, perdi a conta das vezes que me ajoelhei diante da imagem que ficará à tua esquerda para pedir à Mãe de todas as mães que me ajude a ser boa, para que um dia também eu diga sim e entregue a Deus a vida que gostava que nascesse de mim.

a vida por vezes pode ser cruel, a nossa cruzou-se e nunca mais se voltou a separar. Seguimos caminhos diferentes, sempre juntos, sempre em paralelo. fazes questão de me lembrar que nunca me esqueceste. eu também não te esqueci.

um dia disseram-me que não devemos escrever o que não podemos dizer, não vou escrever o que estou a sentir, limito-me a ficar com este ponto final, este aperto no peito, esta dor maior dentro do coração. o culpado nunca foste tu, mas hoje tenho em ti toda a mágoa do meu mundo.