sexta-feira, 1 de março de 2013

os quatro segundos

Sao precisos quatro segundos para perceberes que alguma coisa acabou! No primeiro segundo retens a informação, no segundo a seguir o que era já nem tem forma, no terceiro segundo sabes que acabou, e ao quarto segundo já nem o perfume é o mesmo!

Nos minutos, horas, dias, meses e anos seguintes fica uma estranha recordação, lembras-te pontualmente, talvez numa tarde qualquer em que tropeças com um estranho alguém com o mesmo tom de voz,  a mesma cor de pele, o  mesmo olhar de menino perdido, o cabelo preto e grosso, o sorriso envergonhado com inclinação para a direita. O coração bate com mais força pelo equivoco mas  segues o teu caminho sozinho.

Acabou!  Sabemos em quatro segundos que acabou! Mas ficam os pormenores que só nós vimos, o toque na mão no primeiro jantar, a tarde de sol deitados na praia deserta, o vermelho vivo das cerejas na cesta de piquenique, a cor da cidade nos fins de tarde...são pequenos mas são nossos e esses não podem acabar, ficam para sempre gravados na memória poética da vida.

A ti, porque acabou!
M

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