Ele conduzia calado, perdido em pensamentos vagos, estava ansioso por regressar ao seu pequeno mundo, a um mundo do qual ela não fazia parte, ela sabia, por isso não disse nada.
Os acordes continuavam a subir no rádio, as luzes amarelas da noite iluminavam a cidade e, apesar disso, estavam ambos apagados dentro daquele carro. Chegaram ao estacionamento, uma despedida rápida foi a prova que os pensamentos estavam certos, ela saiu apressada, embora não tivesse ninguém à espera, correu pelas escadas e entrou o mais rápido que conseguiu em casa. Chegou ao quarto, a cama estava feita e a roupa meticulosamente dobrada, sinais do capricho de uma mãe zelosa, pegou no velhinho computador e sem pensar mais nada pesquisou na esperança de ouvir o que tanto queria. Não encontrou nada, talvez tivesse percebido mal a letra, o que pretendia não estava em lugar nenhum. Pegou no telefone e escreveu-lhe uma mensagem:
- Sabes quem canta aquela musica que vinhamos a ouvir na rádio?
- Se for a que estou a pensar é Beach House, ouve o album, é muito bom.
- Obrigada, é isso mesmo.Beijo
Ele gostava de musica, foi a primeira coisa que ela gostou nele.
No minuto seguinte a voz daquela mulher já ecoava na casa...afinal tinha percebido mal a letra, mas era ainda melhor do que ela pensava. Não voltou a deixar de a ouvir.
Desde esse dia até hoje muitas coisas mudaram para ambos, suponho. Uns dias mais tarde os pensamentos ganharam forma de palavras, embora poucas, e a vontade de que alguma coisa boa resultasse nunca teve força suficiente, não era possivel, não havia ligação, demasiados silêncios nem sempre são bem vindos.
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