sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A T.

Estes dias tenho pensado em T.
Perdida em memórias lembrei-me do dia em que soube que T. era minha.
Estávamos nos primeiros dias de Março, já não nos viamos há uns meses, eu tinha estado fora do país e ao regressar recebi uma daquelas notícias que gostariamos de nunca ouvir.
O dia estava triste, vestido de negro, eu estava rodeada de pessoas de luto  e nada do que diziam fazia sentido, tinha a cabeça vazia e o coração apertado. Foi então que vi T. , a única cara que eu queria ver, o melhor abraço que podia receber. Pensei que já não tinha mais lágrimas para chorar nesse dia, mas quando a vi fui inundada por uma avalanche de amor e não consegui evitar que rolassem, ainda mais gordas, com mais força, com mais mágoa, com mais tristeza, num misto de dor e ternura, de um amor que se renova quando outro se perde. Este foi um dia triste, mas foi o dia em que soube que T. era minha.
Voltemos a T. , não me lembro do dia em que a conheci, também não é importante, não me lembro de como era a vida antes dela. Podia contar pelo menos uma centena de estórias, de sorrisos e de lágrimas, de sermões e brincadeiras, dramas e teatrinhos, mas nada disto interessa contar, ela está para além de tudo isso. T. é um sentimento de 1 metro e picos, olhos confusos em verde e castanho, cabelo rebelde e espirito livre, isto basta.
T. é uma verdadeira amiga, daquelas que são diferentes de nós em tudo mas vêem a vida com o mesmo coração. É uma pessoa especial, estranhamente abençoada por uma racionalidade ilógica.
Hoje T. não está feliz e, como num casamento invisivel celebrado num dia sem memória, eu estou com T. , na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe.

2 comentários:

  1. Não me lembro do que fizemos...mas sei q cada vez que me lembro de ti rio, com amor... A verdade é que não sou capaz de explicar, há tantas coisas que faria diferente mas mesmo assim rio... porque aqui, contigo sou feliz.

    M, sou tua para sempre.

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